domingo, 5 de junho de 2011

O que é A inveja ? Um bicho peçonhento que ataca a todos.


O que é A inveja ?

Um bicho peçonhento que ataca a todos.

A inveja é lixada

É um bicho peçonhento

Basta só uma pitada

Rói-nos tudo cá dentro.


Com sete olhos e meio

Tem um olhar aguçado

É um bicho muito feio

Mordendo por todo o lado.


Ataca no cotovelo

No braço e antebraço

Angustiante pesadelo

Ataca todo o espaço


Por mais que se conteste

Todos têm uma pontinha

A inveja é tal peste

Que se mostra danadinha

.

Essa de ouvirmos dizer:

- Não tenho inveja de nada

É para rir a valer

Que é uma bela piada


Tantas coisas invejadas

Fazem uma lista infindável

Como agulhas espetadas

Fazem dor insuportável


Não há arma que afugente

esse bicho peçonhento

quer se tente quer não se tente

rói-nos tudo por dentro


Existir existe sempre

Às vezes adormecida

Mas se acorda de repente

Como morde enfurecida.


Ninguém se faça de santo

Com o seu arzinho de esperto

Que ela chega puxa o manto

Deixa tudo a descoberto


Deixa os olhos a brilhar

O coração a bater

Deixas as faces a corar

Não se consegue esconder


Se depara com uma surpresa

Daquelas bem visíveis

Solta a sua frieza

Faz calafrios terríveis.


Nem crianças inocentes

Escapam às suas fúrias

Os sintomas frequentes

São birras e lamurias.


Desde a idade da pedra

Há um ditado bem certo

Nem o invejoso medra

Nem os que moram lá perto.

O que é a política ? Um doce pegajoso.

O que é a política ?

Um doce pegajoso.

Vamos falar de política

Desse labirinto sem pontas

Só tem crítica sobre crítica

Deixando as pessoas tontas.


Quem de fora dessa luta

Está a observar

Só vê mixórdia absoluta

E uma rodilha a limpar.


Uma coisa foi gerada

Tanto ou quanto paralítica

Mais tarde baptizada

Com o nome de política.


Todos a queriam ver

Como se fosse um bebé

Começaram a mexer

Para descobrir o que é.


Não gostou de ser mexida

Nem por cima nem por baixo

Retorquiu enfurecida :

- Todos querem é um tacho.


Eis então que acordou

Deitou as garras de fora

E com malvadez jurou :

- Vão-me aturar agora.


Hei de ser um queixume

Do maior ao mais pequeno

Com muito muito azedume

Para alguns serei veneno.


A vingança é um prato

Que se deve comer frio

Manhosa como um rato

Então se definiu.


- Sou um doce pegajoso

Para se comer moderado

Até o mais cuidadoso

Há de sair lambuzado.


Este doce é mesmo assim

Tem muitas muitas doçuras

Quem o comer até ao fim

Há de comer amarguras.


Querem todos o poleiro.

Para subir lá no alto

Puxados pelo dinheiro

Hão de ser um desacato.


É a política malvada

A esgotar a paciêcia

Pois só se sente vingada

No meio da turbulência.


Faz melhor quem está de fora,

Só antes de lá entrar

Quando chega a sua hora

Nada consegue mostrar.


Rodopiando por fora

A nação em maioria

Enjoa-se a toda a hora

Com tanta porcaria.


Assiste-se constantemente

Num carrossel de vai e vem

Ofendem-se mutuamente

Sem respeito por nínguem.


domingo, 1 de maio de 2011

Viagem de 3 amigos na África do Sul

Uma viagem de trabalho à África do Sul. Um deles era locutor da renascença. Ele contou-a e eu recontei-a. Acabou por ser lida em directo pelo próprio António Sala.


Viagem de 3 amigos na África do Sul


História mirabolante

Do medroso do sala

Numa selva lá distante

Quase perdeu a fala


Senhor sala diga lá

Diga à gente em pormenor

Agora que já cá está

Se teve algum susto maior


Indo à África em viagem

Passear e trabalhar

Pois a vida é uma passagem

Deve-se aproveitar


Foi então que se lembrou

De uns casinos visitar

Mas a roda desandou

Deu-lhe tudo no azar


Um amigo sugeriu

Dar-lhe uma tarde diferente

E uma carrinha pediu

Para levar toda a gente


Logo chegou a carrinha

Que a Amanda conduzia

De olhos azuis e loirinha

A viagem prometia


Se as mulheres de vocês

Estivessem em Portugal

E se em vez de seis fossem três

Não seria tudo mal.


Já dizia a minha avó

Na sua sabedoria

Um mal nunca vem só

Outro traz por companhia.


Eis então que começa

A aventura do dia

Motorista feita à pressa

Pouco ou nada percebia.


Os casinos e a roleta

Queria ver mas não viu

Viu o carro na valeta

Que lhe deu um calafrio.


Viu a morte a cada passo

E não querendo morrer cedo

Levou um grande cagaço

Quem tem pescoço tem medo.


Tudo era desencanto

Já a noite escurecia

Só o medo era tanto

De tudo o que mexia.


Na selva já perdido

Viu a vida no final

Só pensava ser comido

Por um qualquer animal.


Teve fome, passou frio

Tinha cara de pavor

Teve sono não dormiu

Passou horas de terror.


A gasolina já pouca

O desespero aumentava

O leão abria a boca

O apetite chegava.


Já se sentia a demanda

Mas era alucinação

Nos cabelos da Amanda

Via a juba de um leão.


Na hora das aflições

Todo o receio permanece

Pois só tinha uns calções

Para o que desse e viesse.


Já quase de madrugada

Uma estrelinha brilhou

Ao encontrar uma estrada

E ao hotel regressou.


Terminou o pesadelo

O seu banho foi tomar

Não convém aqui dizê-lo

Mas estava a precisar.

Os impostos que os Portugueses pagam voluntariamente... obrigados!


Os impostos que os Portugueses pagam voluntariamente...obrigados!



Este quadro revela

Quem os impostos pagou

Para evitar uma cela

Foi assim que os deixou.


Quase quase de tanga

Já sem carro nem carroça

Gritam eles : - Oh Caramba !!!

Que raio de vida é a nossa.


Sempre muito mal dispostos

Refilando com razão

Lá vão pagar os impostos

Como é de obrigação.


Paga-se imposto por tudo

Do maior ao mais pequeno

O magro e o barrigudo

O branco e o moreno.


É um total desencanto

Esta coisa de impostos

É vê-los em cada canto

Com o seu ar de indispostos


O desespero é comum

Na hora do pagamento

Não escapando nenhum

Que não solte lamento


Estes dois se encontraram

Com os impostos na mão

E foi assim que se queixaram

Lá na repartição.


Como está senhor Ricardo

Os impostos vou pagar

Eu estou bem obrigado

E os mesmos passos fui dar.


- D. Francisca é a lei

Temos de aguentar

- Temos temos bem sei

- É pagar e não bufar.

domingo, 24 de abril de 2011

O dia de trabalho do alentejano

O que dizem as más línguas do dia de trabalho do alentejano.


O galo cantou

A manhã raiou

O sol apontou

O alentejano se levantou

Os sapatos calçou

A cara lavou

A roupa enfiou

O café tomou

Depois se espreguiçou

Mas lá se encorajou

E as mãos esfregou

Para o trabalho s echegou

Mas logo pensou

Não azeda nem azedou

E à sombra se sentou

E um pouquinho descansou

O suor limpou

Algum tempo passou

E a seguir almoçou

Depois repousou

E não se conformou

De novo balbuciou

E o trabalho não azedou

Quem seria que o inventou

Que ninguém o enforcou

Também protestou

Que o trabalho que lhe calhou

Muito muito muito ansou

A coisa melhorou

Quando reparou

Que a noite chegou.

Então se alegrou

E as mãos dos bolsos tirou


Não é assim não senhor

Diga a todos com coragem

Não deixe qualquer estupor

Estragar a sua imagem


Imponha-se, seja forte

Chega de humilhação

Quem sabe, um dia com sorte

Se saiba o que os outros são.


domingo, 17 de abril de 2011

o pastor alentejano

O pastor Alentejano



No Alentejo o pastor

Com o rebanho a seus cuidados

Passa frio e calor

Sem domingos nem feriados.


Sem nunca sair da terra

Sem ambição desmedida

na planície ou na serra

passa o pastor a sua vida.


Era assim antigamente

Dias quentes noites frias

Agora presentemente

Já há outras regalias.


Isto mudou bastante

Desde o sul até ao norte

Já são gente importante

De samarra e capote.


Já tem telefonia

Muito bem sintonizada

É a sua companhia

À noite e de madrugada.


O rebanho unido

Ao ouvir o trrim trrim

Telemóvel ao ouvido :

- TouXim... é para mim.


domingo, 10 de abril de 2011

O que é o Dinheiro ?

O que é o Dinheiro ?

O diabo com asas.

A tentação do dinheiro

Tenta grandes e pequenos

Há de chegar o primeiro

A dizer que quer menos.


Temos a casa tão cheia

Que não cabe o que lá está

Mas se o dinheiro se bandeia :

- Venha venha cabe lá.


O Safado cabe sempre

Sem ocupar lugar

Um objecto diferente

Que aconselha a trabalhar.


Chega-nos a convencer

Ser o jeito mais capaz

O dinheiro vai correr

E nós corremos atrás.


Apanha-o quem puder

Às vezes aconteceu

Não importando sequer

A maneira como e seu


Mostrando-se com frescura

Com poder de sedução

Também leva à loucura

Quem para ele tem mão.


Gosta de ser contado

Dividido com jeitinho

Gosta de ser suado

E tratado com carinho.


Quando não é desse jeito

De outro jeito não gostou

Não se sente satisfeito

Bateu asas e voou.


Atingindo grande altura

Basta-lhe apenas um sopro

Leva então à loucura

Que era tanto e é tão pouco.


Acha o mais sortudo

que nasceu de cú virado

que o dinheiro paga tudo

pobre infeliz... está errado.


Paga sim e em geral

Haja chuva ou haja sol

A vaidade pessoal

Que floresce sem controle.


Faz-se muito poderoso

Gosta de se mostrar

Com seu ar de vaidoso

Gosta de amachucar.


Todos gostam muito muito

De vê-lo na sua mão

Para uns fica junto

Para outros parece um balão.


Balão que vai ao ar

Subindo a grande altura

Que depois ao rebentar

Pode levar à loucura.